O fim da escala 6x1 deixou de ser projeto. Em 14 de outubro de 2026, o Senado aprovou a proposta que garante dois dias de descanso por semana e reduz a jornada máxima para 40 horas. Para o trabalhador, é mais descanso com o mesmo salário. Para a empresa, é uma mudança de escala, de custo e de rotina que precisa ser planejada desde já.
Este artigo responde às perguntas que mais aparecem nas buscas: se a escala 5x2 foi mesmo aprovada, quando começa a valer, quais são as regras e o que o empregador deve fazer para atravessar a transição reduzindo o risco de passivo trabalhista.
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Baixar o guia1. Foi aprovada a escala 5x2?
Sim. O Plenário do Senado aprovou a PEC 221/2019 em dois turnos, ambos por 75 votos favoráveis e 1 contrário, segundo a Agência Senado. A proposta já havia passado pela Câmara dos Deputados em maio e pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado em setembro.
Por ser uma emenda à Constituição, o texto não vai à sanção do Presidente da República e não pode ser vetado. O próximo passo é a promulgação em sessão solene do Congresso Nacional, seguida da publicação. É a partir da publicação que os prazos começam a correr.
2. O que muda com o fim da escala 6x1
O texto aprovado altera a Constituição para prever repouso semanal remunerado de dois dias, um deles preferencialmente aos domingos, sem redução salarial. A comparação abaixo resume as principais mudanças:
| Tema | Regra atual | Nova regra |
|---|---|---|
| Escala padrão | 6x1: seis dias de trabalho e um de folga | 5x2: cinco dias de trabalho e dois de folga |
| Jornada semanal | Até 44 horas | Até 40 horas, ao final da transição |
| Repouso | 1 dia, preferencialmente no domingo | 2 dias, um deles preferencialmente no domingo |
| Jornada diária | Até 8 horas | Até 8 horas, com compensação e redução por acordo ou convenção coletiva |
| Salário | Conforme contrato | Sem redução |
3. Quando começa a valer a escala 5x2?
A mudança acontece em etapas, contadas a partir da publicação da emenda constitucional. Pelo texto da PEC, são três passos até as 40 horas:
- Publicação da emendaAcontece na sessão solene de promulgação do Congresso Nacional. A data ainda não foi marcada.
- Dois meses após a publicaçãoPassam a valer o repouso de dois dias por semana e a jornada máxima de 42 horas semanais.
- Um ano e dois meses após a publicaçãoA jornada atinge o teto final de 40 horas semanais. É quando o fim da escala 6x1 se completa.
Na prática, a empresa que hoje trabalha em 6x1 terá cerca de dois meses, contados da publicação, para reorganizar as folgas de toda a equipe. Parece muito tempo, mas não é: a nova escala precisa ser desenhada, conversada com os empregados, formalizada e lançada no controle de ponto e no eSocial.
4. Quais são as regras da escala 5x2?
A regra geral é simples: cinco dias de trabalho e dois de descanso remunerado por semana, com jornada de até 8 horas diárias e, ao final da transição, até 40 horas semanais. Um dos dias de folga deve ser, preferencialmente, o domingo. O texto da PEC também traz regras específicas, conforme o resumo da Agência Câmara:
- Flexibilidade negociada: convenção ou acordo coletivo poderá, excepcionalmente, estabelecer escalas diferentes da 5x2, desde que garanta a média de duas folgas por semana no mês e nunca ultrapasse uma semana sem folga.
- Regimes diferenciados: uma nova lei poderá regulamentar setores que exigem jornadas específicas, como saúde, transporte e segurança, respeitado o limite constitucional de 40 horas e dois dias de descanso por semana.
- Hipersuficientes: o limite de horas semanais poderá ser diferenciado, por liberalidade do empregador ou por norma coletiva, para empregados com nível superior e salário acima de 2,5 vezes o teto da Previdência Social (cerca de R$ 21,2 mil). Mesmo nesse caso, os dois dias de descanso semanal continuam garantidos.
- Pequenos negócios: lei complementar definirá regras de transição para MEIs, microempresas e empresas de pequeno porte, com medidas de auxílio condicionadas à manutenção dos níveis de emprego.
O relator da proposta no Senado afirmou que pontos como a carga horária de setores específicos ainda precisarão ser regulamentados pelo Congresso. Por isso, vale acompanhar a publicação do texto definitivo e as leis que vierem depois dele.
5. O que a empresa precisa fazer agora
Quem trabalha com escala 6x1 não precisa esperar a publicação para começar. O caminho mais seguro passa por cinco etapas:
- Mapear quem está em 6x1, com funções, horários e folgas atuais, e calcular as horas semanais de cada função.
- Ler a convenção coletiva da categoria, porque ela pode prever regras próprias de escala, domingos e banco de horas, e as cláusulas incompatíveis com a nova regra perdem a validade dois meses após a publicação da emenda.
- Desenhar a nova escala por setor, com duas folgas semanais e rodízio de domingos, e fazer a conta do custo: horas a repor, contratações e reorganização de turnos.
- Formalizar por escrito a nova escala, com aditivo contratual ou comunicado assinado, e ajustar o ponto e o eSocial.
- Treinar os gestores que montam a escala no dia a dia e guardar todos os registros da implantação.
O custo de não se adequar
Depois do prazo, cada hora trabalhada acima do novo limite passa a ser hora extra, com adicional mínimo de 50% (art. 7º, XVI, da Constituição Federal) e reflexos em férias, 13º salário e FGTS. E o trabalho em domingos e feriados sem folga compensatória já é pago em dobro hoje, conforme a Súmula 146 do TST. Como a mudança atinge todos os empregados ao mesmo tempo, um erro na implantação tende a se repetir em vários contratos.
Atenção para quem usa a escala 12x36
A escala 12x36 continua prevista no art. 59-A da CLT. Ela soma em média 42 horas semanais: cabe no limite da primeira fase, mas fica acima das 40 horas da fase final. Empresas de saúde, vigilância, condomínios e outras operações contínuas que usam esse regime devem revisar a forma de compensação à luz do texto publicado, da convenção coletiva e da regulamentação que vier.
Guia prático: fim da escala 6x1
Um PDF de 8 páginas para quem precisa implantar a escala 5x2 com segurança jurídica.
- O que foi aprovado e o cronograma até as 40 horas
- Modelos de escala 5x2 para comércio, indústria e operação de 7 dias
- Checklist de implantação em 10 passos
- Os erros que mais viram processo
- Perguntas frequentes dos empresários
Conclusão
A escala 5x2 foi aprovada e só depende da promulgação para começar a contar prazo. Dois meses depois da publicação, as empresas já precisarão garantir duas folgas semanais e respeitar o limite de 42 horas; um ano e dois meses depois, o de 40 horas. Quem se antecipa transforma a mudança em organização. Quem espera a fiscalização ou o primeiro processo costuma pagar mais caro.
Cada empresa tem uma realidade: horário de funcionamento, número de empregados, convenção coletiva e funções diferentes. Se você quer adequar a sua empresa à nova escala com segurança, conheça a nossa atuação em Direito do Trabalho ou leia também o artigo sobre o prazo para pagamento das verbas rescisórias.
Perguntas frequentes
Foi aprovada a escala 5x2?
Sim. O Senado aprovou a PEC 221/2019 em 14 de outubro de 2026, em dois turnos, por 75 votos a 1. A proposta já tinha sido aprovada pela Câmara e agora segue para promulgação pelo Congresso Nacional, sem sanção nem veto presidencial.
Quando começa a valer a escala 5x2?
Dois meses após a publicação da emenda constitucional. Nessa data passam a valer o repouso de dois dias por semana e o limite de 42 horas semanais. A data exata depende da promulgação, que ainda não foi marcada.
Quando entra em vigor o fim da escala 6x1 por completo?
Um ano e dois meses após a publicação da emenda, quando a jornada máxima chega a 40 horas semanais.
Quais são as regras da escala 5x2?
Cinco dias de trabalho e dois de repouso remunerado por semana, um deles preferencialmente no domingo, jornada de até 8 horas por dia e de até 40 horas por semana ao final da transição, sem redução de salário.
A empresa pode reduzir o salário por causa da jornada menor?
Não. O texto aprovado garante o repouso semanal de dois dias sem redução salarial.
A convenção coletiva pode prever outra escala?
Excepcionalmente, sim. Segundo o texto da PEC 221/2019, convenção ou acordo coletivo poderá estabelecer escalas diferentes da 5x2, desde que garanta a média de duas folgas por semana no mês e nunca ultrapasse uma semana sem folga.
Fonte: Agência Senado, "Senado aprova fim da escala 6x1", 14/10/2026; Agência Câmara, resumo do texto da PEC 221/2019.

